Feixes Vivos e Drenos Verdes

Conceito, Confecção e Aplicação
Bioengenharia de Solos

Luiz Diego Vidal Santos

Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)

2026-03-25

Visão Geral da Aula

Tópicos

  • 1 O que são feixes vivos e drenos verdes?
  • 2 Fibras naturais e substrato vegetal
  • 3 Confecção dos drenos verdes
  • 4 Sistema espinha de peixe
  • 5 Espécies vegetais para estacas vivas
  • 6 Monitoramento e bioensaios
  • 7 Estudo de caso: Campus Rural (UFS-SE)
  • 8 Síntese e atividade

Objetivo da Aula

Compreender o conceito de feixes vivos (live fascines) e drenos verdes (green drains) como técnicas de bioengenharia para estabilização de encostas e controle de erosão, dominar os procedimentos de confecção, critérios de dimensionamento e protocolos de monitoramento para garantir a eficiência e a sustentabilidade ambiental do sistema.

1. O QUE SÃO FEIXES VIVOS E DRENOS VERDES?

Definição e contexto

Conceito

Feixes vivos (live fascines / live bundles) são conjuntos de estacas vegetativas obtidas a partir de galhos vivos de espécies com propagação por estaquia, enterrados no solo para promover enraizamento e cobertura vegetal (Rey et al., 2019).

Drenos verdes (green drains) são dispositivos tubulares fabricados com fibras naturais (taboa, bananeira) que funcionam simultaneamente como sistema de drenagem superficial e substrato de retenção de umidade para os feixes vivos.

💡 A combinação de drenos verdes + feixes vivos cria um sistema duplo: drenagem + revegetação, integrando engenharia geotécnica e restauração ecológica.

Dreno verde confeccionado com fibras naturais de taboa

Histórico e ressurgimento

Linha do tempo

O uso de materiais vivos na engenharia de solos é uma prática secular:

  • Séculos XVIII–XIX: Técnicas amplamente utilizadas na Europa Ocidental para estabilização de encostas e margens fluviais (Evette et al., 2009)
  • Meados do séc. XX: Queda no uso com a ascensão de soluções de “engenharia cinza” (concreto, enrocamento)
  • Últimas décadas: Ressurgimento impulsionado pela conscientização ambiental e busca por soluções baseadas na natureza — NbS (Alqaisi et al., 2020)

🔄 A mudança reflete uma nova abordagem: proteger contra erosão + restaurar ecologicamente as áreas degradadas, utilizando biomateriais (Santos et al., 2020).

Motivação atual

Abordagem Custo Impacto ambiental
Enrocamento Alto Elevado
Concreto armado Muito alto Elevado
Feixes vivos + drenos verdes Baixo Mínimo

O enrocamento, embora eficaz, tem custo elevado que inviabiliza aplicação em larga escala (Morokong & Blignaut, 2019; Pietro et al., 2021).

Comparação com técnicas anteriores

Paliçadas × Barraginhas × Feixes vivos

graph LR
    A["🪵 Paliçadas<br>Barreiras físicas<br>em ravinas"] -->|"Reduz<br>velocidade"| D["Controle<br>de erosão"]
    B["🕳️ Barraginhas<br>Captação e<br>infiltração"] -->|"Retém<br>água"| D
    C["🌱 Feixes vivos<br>Drenagem +<br>revegetação"] -->|"Drena +<br>enraíza"| D
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    style C fill:#2E7D32,color:#fff
    style D fill:#ED1C24,color:#fff

Quando usar cada técnica

Critério Paliçadas Barraginhas Feixes vivos
Tipo de erosão Ravinas Estradas rurais Encostas/margens
Mecanismo Barreira física Captação Drenagem + raízes
Material Bambu/madeira Terra Fibras + estacas
Revegetação Não Não Sim
Durabilidade Média Alta Crescente

🌿 Os feixes vivos são a única técnica que ganha resistência com o tempo: à medida que as raízes se desenvolvem, a estabilidade do solo aumenta progressivamente.

2. FIBRAS NATURAIS E SUBSTRATO VEGETAL

Estrutura das fibras naturais

Composição das fibras vegetais

As fibras naturais (NFs) são compostos naturais altamente organizados:

  • Celulose: componente principal — confere resistência mecânica e rigidez (Akil et al., 2011)
  • Hemicelulose: matriz amorfa de suporte
  • Lignina: cimentação entre fibras
  • Ceras e pectinas: revestimento superficial

A proporção desses componentes varia conforme:

  • Espécie vegetal
  • Condições ambientais de cultivo
  • Taxa de crescimento
  • Tipo de tecido da planta

Morfologia da fibra

graph TB
    A["Fibra vegetal"] --> B["Lúmen central<br>Transporte H₂O + nutrientes"]
    A --> C["Parede celular<br>multicamada"]
    C --> D["Lamela média"]
    C --> E["Parede primária<br>Regula crescimento"]
    C --> F["Parede secundária"]
    F --> G["Camada externa"]
    F --> H["Camada intermediária"]
    F --> I["Camada interna"]
    style A fill:#2E7D32,color:#fff
    style B fill:#FDB913,color:#000
    style F fill:#034EA2,color:#fff

A parede secundária, rica em microfibrilas de celulose orientadas, é a principal responsável pela resistência mecânica (Chokshi et al., 2022).

Taboa e bananeira como substrato

Typha dominguensis (Taboa)

  • Macrófita aquática abundante no Nordeste
  • Alta capacidade de retenção hídrica
  • Estrutura porosa favorece aeração radicular
  • Biodegradável — enriquece o solo com matéria orgânica

Musa paradisiaca (Bananeira)

  • Pseudocaule rico em fibras longas
  • Excelente relação custo-benefício
  • Boa capacidade de drenagem
  • Folhas com alto teor de celulose

Vantagens como substrato

As fibras naturais oferecem múltiplas funções (Das et al., 2021; Suwinarti et al., 2023):

Propriedade Benefício
Retenção de água Mantém umidade para enraizamento
Drenagem equilibrada Previne saturação/patógenos
Porosidade Facilita crescimento radicular
Biodegradabilidade Integra-se gradualmente ao solo
Matéria orgânica Enriquece o substrato
Aeração Oxigênio para raízes

♻️ As fibras naturais substituem substratos industriais de alto custo, oferecendo uma solução econômica e sustentável (Silva Fernandes et al., 2018; Araújo Filho et al., 2019).

Propriedades mecânicas e funcionais

Formulações dos drenos verdes

Foram desenvolvidas três frações para cada espécie:

Taboa (Typha dominguensis):

Fração Composição
G1 24% limbo + 44% fibras folha + 20% resina + 6% solvente + 30% espessante
G2 24% limbo + 20% fibras bainha + 20% resina + 6% solvente + 30% espessante
G3 G2 com água em vez de D’limoneno

Bananeira (Musa paradisiaca):

Fração Composição
G1 24% limbo + 44% fibras folha + 20% resina + 6% solvente + 30% espessante
G2 24% limbo + 20% fibras pseudocaule + 20% resina + 6% solvente + 30% espessante
G3 G2 com água em vez de D’limoneno

Componentes da formulação

  • Resina natural: bi-componente derivada de poliol vegetal de mamona — promove coesão entre fibras
  • Solvente: D’limoneno (95% da formulação) — origem natural
  • Espessante: confere consistência estrutural

Especificações técnicas

Parâmetro Valor
Espessura da parede 5 mm
Diâmetro total 20 cm
Densidade aproximada 0,062 g/cm³

Similar a materiais geotécnicos como lã de rocha e lã de vidro.

3. CONFECÇÃO DOS DRENOS VERDES

Etapas de fabricação

Passo a passo

graph TD
    A["1. Coleta e secagem<br>das fibras naturais"] --> B["2. Tratamento com<br>resina + espessante"]
    B --> C["3. Mistura na encoladeira<br>(5 minutos)"]
    C --> D["4. Moldagem em<br>formas de dreno"]
    D --> E["5. Prensagem a frio<br>forma tipo U (24h)"]
    E --> F["6. Cura da resina<br>sem aplicação de calor"]
    F --> G["7. Dreno verde<br>pronto"]
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    style D fill:#034EA2,color:#fff
    style E fill:#ED1C24,color:#fff
    style G fill:#2E7D32,color:#fff

Detalhes importantes:

  1. Material seco até ~12% de umidade
  2. Mistura homogênea na encoladeira por 5 min
  3. Prensagem hidráulica a frio — sem calor
  4. Cura de 24 horas na forma tipo “U”

Forma para prensagem hidráulica do dreno verde

Esquema de montagem para prensagem

O dispositivo: dreno verde

Estrutura do dreno

O dreno verde é composto por dois subsistemas principais:

  1. Tubo de drenagem
    • Parede de fibras naturais (5 mm)
    • Diâmetro de 20 cm
    • Furos distribuídos para infiltração
  2. Feixes vivos (inseridos no tubo)
    • Estacas vegetativas vivas
    • Enraizamento progressivo
    • Cobertura vegetal crescente

Funções simultâneas

  • 💧 Drenagem: conduz excesso de água superficial
  • 🌱 Retenção de umidade: cria microambiente para enraizamento
  • 🏔️ Estabilização: raízes reforçam o solo
  • ♻️ Restauração ecológica: regeneração da vegetação nativa

Dreno verde — vista lateral com fibras naturais

Dreno verde — detalhe da estrutura interna

Diagrama do dreno verde

Seção transversal

graph LR
    subgraph Dreno["Dreno Verde — Seção Transversal"]
        direction TB
        A["Parede externa<br>Fibras naturais<br>ε = 5 mm"]
        B["Furos de infiltração<br>Distribuídos<br>ao longo da parede"]
        C["Núcleo interno<br>Feixes vivos +<br>substrato úmido"]
        D["Ø total = 20 cm"]
    end
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    style C fill:#2E7D32,color:#fff
    style D fill:#FDB913,color:#000

Dupla função

graph TD
    A["Água superficial<br>excedente"] -->|"Infiltra pelos<br>furos"| B["Interior do<br>dreno verde"]
    B -->|"Conduz para"| C["Dreno polo<br>principal"]
    B -->|"Retém umidade<br>para"| D["Feixes vivos"]
    D -->|"Enraízam e"| E["Estabilizam<br>o solo"]
    C -->|"Evacuação<br>controlada"| F["Base da<br>encosta"]
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    style B fill:#8B4513,color:#fff
    style D fill:#2E7D32,color:#fff
    style E fill:#FDB913,color:#000

4. SISTEMA ESPINHA DE PEIXE

Disposição em espinha de peixe

Arranjo de campo

O sistema de drenagem verde é instalado em um padrão de “espinha de peixe” (fishbone pattern):

  1. Drenos de polo (principais)
    • Instalados ao longo da ravina
    • Feixes maiores de ramos vivos
    • Coletam e redirecionam o fluxo de água
  2. Fascinas laterais (secundárias)
    • Conectadas obliquamente aos drenos de polo
    • Feixes menores de ramos
    • Desviam água para o dreno principal

Benefícios do arranjo

  • Redução da velocidade do fluxo superficial
  • Favorecimento da infiltração no solo
  • Enraizamento dos feixes ao longo de todo o sistema
  • Melhoria da coesão do terreno

Ravina e sulcos para implementação

Esquema de disposição espinha de peixe

Esquema funcional do sistema

Fluxo hídrico no sistema

graph TD
    A["Precipitação"] --> B["Escoamento<br>superficial"]
    B --> C["Fascinas laterais<br>(oblíquas)"]
    C -->|"Desvia para"| D["Dreno de polo<br>(principal)"]
    D --> E["Base da<br>encosta"]
    C -->|"Infiltra no"| F["Solo"]
    B -->|"Interceptado por"| G["Feixes vivos"]
    G -->|"Raízes<br>estabilizam"| H["Solo reforçado"]
    F --> H
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    style C fill:#2E7D32,color:#fff
    style D fill:#034EA2,color:#fff
    style G fill:#FDB913,color:#000
    style H fill:#8B4513,color:#fff

Princípios de funcionamento

Componente Função
Fascinas laterais Interceptam e desviam fluxo
Dreno de polo Coleta e conduz água
Feixes vivos Enraízam e estabilizam
Furos no dreno Infiltração controlada

🐟 O padrão espinha de peixe é inspirado na anatomia natural: as “costelas” (fascinas) drenam para a “coluna vertebral” (dreno polo), distribuindo a captação ao longo de toda a encosta.

Dimensionamento do sistema

Critérios de projeto

A disposição dos drenos considera:

  • Declividade da encosta
  • Comprimento da vertente
  • Intensidade de precipitação local
  • Tipo de solo e susceptibilidade à erosão
  • Área de contribuição de cada segmento

Espaçamento entre fascinas

Para encostas com declividade entre 15° e 45°:

Declividade Espaçamento recomendado
15°–25° 2,0 – 3,0 m
25°–35° 1,5 – 2,0 m
35°–45° 1,0 – 1,5 m

Ângulo de inserção

As fascinas laterais devem ser inseridas em ângulo de 30°–45° em relação ao dreno de polo:

graph TD
    A["Topo da encosta<br>↓ Fluxo"] --- B["─── Fascina 30°–45° ───"]
    B --- C["│ Dreno de Polo │"]
    C --- D["─── Fascina 30°–45° ───"]
    D --- E["Base da encosta"]
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    style C fill:#034EA2,color:#fff
    style D fill:#2E7D32,color:#fff
    style E fill:#8B4513,color:#fff

📐 O ângulo oblíquo garante que a água seja desviada gradualmente, evitando acúmulo e reduzindo a energia erosiva do escoamento.

5. ESPÉCIES VEGETAIS PARA ESTACAS VIVAS

Seleção de espécies

Espécies recomendadas

As espécies são selecionadas por sua capacidade de propagação por estaquia e adaptação aos tabuleiros costeiros:

Espécie Nome popular Uso
Schinus terebinthifolius Aroeira Estabilização
Spondias lutea Cajá Cobertura
Inga marginata Ingá Fixação de N₂
Tapirira guianensis Pau-pombo Recomposição
Lonchocarpus sericeus Falso-ingá Fixação de N₂
Mimosa caesalpiniaefolia Sabiá Cobertura rápida
Genipa americana Genipapo Revegetação

Critérios de seleção

  • Vigor: árvores-matrizes saudáveis
  • Fitossanidade: ausência de pragas/doenças
  • Propagação por estaquia: capacidade comprovada
  • Adaptação local: resistência ao clima semiárido

Preparação das estacas

  1. Seleção de 3 árvores vigorosas por espécie
  2. Retirada da porção basal da planta
  3. Estacas de 15–20 cm de comprimento
  4. Diâmetro de 0,5–1,5 cm
  5. Corte reto no ápice e em ângulo na base
  6. Acondicionamento em água até o plantio

Preparação e plantio

Processo de estaquia

graph TD
    A["Seleção das<br>árvores-matrizes"] --> B["Coleta de<br>estacas basais"]
    B --> C["Preparo: 15–20 cm<br>Ø 0,5–1,5 cm"]
    C --> D["Corte: reto no ápice<br>ângulo na base"]
    D --> E["Acondicionamento<br>em água"]
    E --> F["Inserção nos<br>drenos verdes"]
    F --> G["Monitoramento do<br>enraizamento"]
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    style F fill:#034EA2,color:#fff
    style G fill:#ED1C24,color:#fff

Fatores de sucesso

Fator Recomendação
Época de coleta Período de dormência
Número de gemas Mínimo 3 por estaca
Hidratação Permanente até plantio
Substrato Fibras naturais no dreno
Estimulante Extrato de feijão ou tiririca

🌿 O uso de estimulantes naturais (extrato de feijão ou tiririca) pode aumentar significativamente a taxa de enraizamento, substituindo reguladores de crescimento industriais de alto custo (Araújo Filho et al., 2019).

6. MONITORAMENTO E BIOENSAIOS

Protocolo de monitoramento

1º Bioensaio — Germinação e crescimento (40 dias)

Parâmetros avaliados:

Sigla Parâmetro
IGS Início da germinação das sementes
G% Porcentagem de germinação
IVG Índice de velocidade de germinação
NFB Número de folhas na bandeja
MSPAB Massa seca parte aérea (bandeja)
CRB Comprimento radicular (bandeja)
MSRB Massa seca radicular (bandeja)
VRB Volume radicular (bandeja)
DRB Diâmetro radicular (bandeja)

2º Bioensaio — Produção em substrato

Parâmetros avaliados:

Sigla Parâmetro
AV Altura em vaso
NFV Número de folhas em vaso
CRV Comprimento radicular (vaso)
MSPAV Massa seca parte aérea (vaso)
VRV Volume radicular (vaso)
DRV Diâmetro radicular (vaso)
PFr Precocidade da floração
NFl Número de flores
DEN Dependência de estimulante natural

Índice de velocidade de germinação

Fórmula do IVG

O Índice de Velocidade de Germinação (Maguire, 1962) mede a rapidez com que as sementes germinam:

\[IVG = \frac{N_1}{D_1} + \frac{N_2}{D_2} + \cdots + \frac{N_n}{D_n}\]

Onde:

  • \(N_i\) = número de brotações no dia \(i\)
  • \(D_i\) = dias após a semeadura

📊 IVG alto → germinação rápida e uniforme → maior sucesso no estabelecimento dos feixes vivos.

Delineamento experimental

graph TD
    A["Delineamento<br>Inteiramente Casualizado"] --> B["Tratamento CO<br>Controle"]
    A --> C["Tratamento ENF<br>Estimulante de feijão"]
    A --> D["Tratamento ENT<br>Estimulante de tiririca"]
    B --> E["8 repetições"]
    C --> F["8 repetições"]
    D --> G["8 repetições"]
    E --> H["Avaliação<br>do 1º ao 40º dia"]
    F --> H
    G --> H
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    style B fill:#FDB913,color:#000
    style C fill:#2E7D32,color:#fff
    style D fill:#ED1C24,color:#fff

Análise radicular por imagem

Sistema SAFIRA

O Sistema de Análise de Fibras e Raízes (SAFIRA) é utilizado para avaliar a morfologia radicular por processamento digital de imagens:

Parâmetros extraídos:

  • Volume radicular (cm³)
  • Diâmetro ponderado (mm)
  • Comprimento total das raízes
  • Distribuição de diâmetros

Procedimento

  1. Raízes lavadas e separadas
  2. Digitalização em placa digitalizadora
  3. Processamento pelo software SAFIRA
  4. Cálculo da densidade radicular:

\[\rho_r = \frac{m_r}{V_r}\]

Onde: \(m_r\) = massa radicular (g), \(V_r\) = volume radicular (cm³)

Importância da análise

graph TD
    A["Raízes<br>desenvolvidas"] --> B["Maior volume<br>radicular"]
    A --> C["Maior diâmetro<br>radicular"]
    B --> D["Maior reforço<br>do solo"]
    C --> D
    D --> E["Estabilização<br>efetiva da encosta"]
    style A fill:#2E7D32,color:#fff
    style D fill:#FDB913,color:#000
    style E fill:#034EA2,color:#fff

🔬 O SAFIRA é o sucessor do SIARCS® — oferece ferramentas morfológicas mais completas para análise de raízes e fibras (Jorge & Rodrigues, 2008).

7. ESTUDO DE CASO: CAMPUS RURAL (UFS-SE)

Área experimental

Contexto

O experimento será conduzido no Campus Rural da UFS (Universidade Federal de Sergipe), em uma área de antiga disposição irregular de resíduos sólidos (lixão desativado).

Preparação da área

  1. Remoção superficial dos resíduos mais recentes e volumosos
  2. Redistribuição controlada dos excedentes
  3. Compactação leve do solo
  4. Uniformização do terreno para instalação dos drenos

Objetivos específicos

  • Avaliar eficácia dos drenos verdes na drenagem superficial
  • Monitorar enraizamento dos feixes vivos
  • Quantificar a retenção de umidade e matéria orgânica
  • Verificar estabilidade da encosta ao longo do tempo

Lixão irregular desativado — antes

Limpeza da área experimental

Preparação e instalação

Redistribuição controlada do terreno

Etapas de campo

  1. Limpeza e remoção de resíduos
  2. Terraplenagem e compactação
  3. Instalação dos drenos de polo
  4. Conexão das fascinas laterais
  5. Inserção dos feixes vivos
  6. Monitoramento periódico

Registro fotográfico de campo

Campo - preparação

Campo - instalação

Campo - detalhe dreno

Campo - visão geral

Diagramas técnicos

Projeto do sistema

Diagrama do dreno verde

Diagrama de montagem

Detalhamento construtivo

Vista do sistema completo

Monitoramento de campo

Cronograma de avaliações

Período Atividade
Dia 0 Instalação dos drenos e feixes
Dias 1–15 Monitoramento diário de germinação
Dias 15–40 Avaliação semanal (1º bioensaio)
Dia 40 Transplante para vasos (2º bioensaio)
Dias 40–120 Monitoramento quinzenal
Dia 120 Avaliação final

Indicadores de sucesso

  • ✅ Taxa de germinação > 70%
  • ✅ Enraizamento > 80% das estacas
  • ✅ Redução do escoamento superficial
  • ✅ Aumento da infiltração
  • ✅ Estabilidade visível da encosta

Registro de acompanhamento

Registro de campo

Acompanhamento do sistema

Evolução dos feixes

Detalhe de enraizamento

8. SÍNTESE E ATIVIDADE

Resumo dos conceitos-chave

Pontos fundamentais

  1. Feixes vivos são estacas vegetativas que enraízam e protegem o solo
  2. Drenos verdes são tubos de fibras naturais com dupla função: drenagem + substrato
  3. O sistema espinha de peixe otimiza a captação e condução da água
  4. Fibras de taboa e bananeira oferecem substrato econômico e sustentável
  5. O sistema ganha resistência com o tempo (enraizamento progressivo)
  6. Bioensaios permitem avaliar a eficácia do enraizamento

Fluxo conceitual completo

graph TD
    A["Fibras naturais<br>Taboa + Bananeira"] --> B["Drenos verdes<br>Ø 20cm, ε 5mm"]
    C["Espécies nativas<br>7 espécies"] --> D["Feixes vivos<br>Estacas 15-20cm"]
    B --> E["Sistema espinha<br>de peixe"]
    D --> E
    E --> F["Drenagem +<br>Revegetação"]
    F --> G["Estabilização<br>de encostas"]
    F --> H["Restauração<br>ecológica"]
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    style D fill:#FDB913,color:#000
    style E fill:#034EA2,color:#fff
    style G fill:#ED1C24,color:#fff
    style H fill:#2E7D32,color:#fff

Atividade prática — Projeto de sistema

Exercício em grupo

Cenário: Uma encosta de aterro sanitário desativado com 30 m de comprimento, declividade de 25° e solo argiloso apresenta sinais de erosão em sulcos.

Projetem um sistema de drenos verdes com feixes vivos:

  1. Quantos drenos de polo serão necessários?
  2. Qual o espaçamento entre as fascinas laterais?
  3. Qual o ângulo de inserção das fascinas?
  4. Quais 3 espécies vocês escolheriam e por quê?
  5. Qual formulação de dreno (G1, G2, G3) é mais adequada?
  6. Elabore um cronograma de monitoramento para 120 dias

Critérios de avaliação

Critério Peso
Coerência do dimensionamento 25%
Justificativa das espécies 20%
Escolha da formulação 15%
Cronograma de monitoramento 20%
Apresentação e clareza 20%

⏱️ Tempo: 30 minutos para projeto + 10 minutos para apresentação por grupo.

Referências

  • Akil, H. M. et al. (2011). Kenaf fiber reinforced composites: A review. Materials & Design, 32(8–9), 4107–4121.
  • Alqaisi, R., Le, T. M., & Khabbaz, H. (2020). Applications of Recycled Sustainable Materials in Soil Stabilization. Springer.
  • Araújo Filho, R. N. et al. (2019). Effect of indolebutyric acid on rooting and budding of cuttings. JEAP, 297–303.
  • Chokshi, S. et al. (2022). Chemical Composition and Mechanical Properties of Natural Fibers. J. Natural Fibers, 19(10), 3942–3953.
  • Das, P. P. et al. (2021). Influence of Moisture Uptake on Mechanical Properties of NF-Reinforced Composites. CRC Press.
  • Evette, A. et al. (2009). History of Bioengineering Techniques for Erosion Control in Rivers. Env. Management, 43(6), 972–984.
  • Jorge, L. A. C. & Rodrigues, A. F. O. (2008). SAFIRA: Sistema de Análise de Fibras e Raízes. Embrapa.
  • Morokong, T. & Blignaut, J. N. (2019). Benefits and costs of soil erosion control using rock pack structures. Land Use Policy, 83, 512–522.
  • Pietro, P. D. et al. (2021). Hydraulic Tests for Reno Mattresses in Open Channel Flow. IOP Conf. Series: Earth Env. Sci., 930(1).
  • Rey, F. et al. (2019). Soil and water bioengineering. Science Total Env., 648, 1210–1218.
  • Santos, L. D. V. et al. (2020). Prospecção tecnológica sobre PD&I em Recursos Hídricos. Rev. Ibero-Am. Ciências Ambientais.
  • Suwinarti, W. et al. (2023). Potential of natural fiber based on plant characteristics. IOP Conf. Series: Earth Env. Sci., 1282(1).

Obrigado!

Prof. Luiz Diego Vidal Santos

📧 luiz.diego@uefs.br

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